segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Bora-bora


Proverbios y cantares / Provérbios e cantares

ANTONIO MACHADO


Proverbios y cantares / Provérbios e cantares

I

Nunca perseguí la gloria

ni dejar en la memoria

de los hombres mi canción;

yo amo los mundos sutiles,

ingrávidos y gentiles

como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse

de sol y grana, volar

bajo el cielo azul, temblar

súbitamente y quebrarse.

I

Nunca persegui a glória

nem conservar na memória

dos homens minha canção;

eu amo os mundos sutis,

ingrávidos e gentis

como bolhas de sabão.

Gosto de vê-los pintar-se

de ouro e de carmim, voar

no céu azul, tremular

subitamente e quebrar-se.



II

¿Para qué llamar caminos

a los surcos del azar?...

Todo el que camina anda,

como Jesús, sobre el mar.

II

Para que chamar caminho

a estes sulcos do azar?...

Tudo o que caminha anda,

como Jesus, sobre o mar.



III

A quien nos justifica nuestra desconfianza

llamamos enemigo, ladrón de una esperanza.

Jamás perdona el necio si ve la nuez vacía

que dio a cascar al diente de la sabiduría.

III

A quem nos justifica nossa desconfiança

chamamos inimigo, ladrão de uma esperança.

Jamais perdoa o néscio se vê a noz vazia

que deu a cascar ao dente da sabedoria.



IV

Nuestras horas son minutos

cuando esperamos saber,

y siglos cuando sabemos

lo que se puede aprender.

IV

Nossas horas são minutos

quando esperamos saber,

séculos quando sabemos

o que se pode aprender.



VI

De lo que llaman los hombres

virtud, justicia y bondad,

una mitad es envidia,

y la otra no es caridad.

VI

Daquilo que chamam os homens

virtude, justiça e bondade,

uma metade é só de inveja,

e a outra não é caridade.



VIII

En preguntar lo que sabes

el tiempo no has de perder...

Y a preguntas sin respuesta

¿quién te podrá responder?

VIII

Em perguntar o que sabes

tempo não hás de perder...

E a perguntas sem resposta

quem pode te responder?



X

La envidia de la virtud

hizo a Caín criminal.

¡Gloria a Caín! Hoy el vicio

es lo que se envidia más.

X

A inveja da virtude

fez de Caim Criminoso.

Glória a Caim! Hoje o vício

é aquilo que mais se inveja.



XII

¡Ojos que a la luz se abrieron

un día para, después,

ciegos tornar a la tierra,

hartos de mirar sin ver!

XII

Olhos que à luz se abriram

um dia para, então,

cegos tornar à terra,

fartos de olhar sem ver!



XIII

Es el mejor de los buenos

quien sabe que en esta vida

todo es cuestión de medida:

un poco más, algo menos...

XIII

É o melhor entre os bons

quem sabe que nesta vida

tudo é questão de medida:

um pouco mais, algo menos...



XIV

Virtud es la alegría que alivia el corazón

más grave y desarruga el ceño de Catón.

El bueno es el que guarda, cual venta del camino,

para el sediento el agua, para el borracho el vino.

XIV

Virtude, alegria que abranda o coração

mais grave e desenruga o cenho de Catão.

O bom é o que guarda, qual venda do caminho,

para o sedento a água, para o ébrio o vinho.



XVI

El hombre es por natura la bestia paradójica,

un animal absurdo que necesita lógica.

Creó de nada un mundo y, su obra terminada,

"Ya estoy en el secreto -se dijo-, todo es nada."

XVI

O homem, por índole, é besta paradoxal,

precisa de lógica esse absurdo animal.

Criou do nada um mundo e, obra terminada,

“Já sei o segredo – se disse – , tudo é nada.”



XVII

El hombre sólo es rico en hipocresía.

En sus diez mil disfraces para engañar confía;

y con la doble llave que guarda su mansión

para la ajena hace ganzúa de ladrón.

XVII

O homem somente é rico em hipocrisia.

Em dez mil disfarces para enganar confia;

e com a chave dupla da sua mansão

para a alheia faz gazua de ladrão.



XXI

Ayer soñé que veía

a Dios y que a Dios hablaba;

y soñé que Dios me oía...

Después soñé que soñaba.

XXI

Ontem eu sonhei que via

Deus e que com Deus falava;

e sonhei que Deus me ouvia...

Depois sonhei que sonhava.



XXIII

No extrañéis, dulces amigos,

que esté mi frente arrugada:

yo vivo en paz con los hombres

y en guerra con mis entrañas.

XXIII

Não estranhem, doces amigos,

esta minha testa enrugada:

eu vivo na paz com os homens

e em guerra com minhas entranhas.



XXXV

Hay dos modos de conciencia:

una es luz, y otra, paciencia.

Una estriba en alumbrar

un poquito el hondo mar;

otra, en hacer penitencia

con caña o red, y esperar

el pez, como pescador.

Dime tú: ¿Cuál es mejor?

¿Conciencia de visionario

que mira en el hondo acuario

peces vivos,

fugitivos,

que no se pueden pescar,

o esa maldita faena

de ir arrojando a la arena,

muertos, los peces del mar?



XXXV

Há dois modos de consciência:

uma é luz, e outra, paciência.

Uma estriba em alumbrar

um pouquinho o fundo mar;

outra, em fazer penitência

de anzol ou rede, e esperar

o peixe, qual pescador.

Diga-me? Qual é melhor?

Consciência de visionário

que olha no fundo do aquário

peixes vivos,

fugitivos,

que não se podem pescar,

ou esse ofício nefando

de ir na areia atirando,

mortos, os peixes do mar?

XXXVI

Fe empirista. Ni somos ni seremos.

Todo nuestro vivir es emprestado.

Nada trajimos; nada llevaremos.

XXXVI

Fé empirista. Nem somos nem seremos.

Todo nosso viver é emprestado.

Nada trazemos, nada levaremos.



XLIII

Dices que nada se pierde

y acaso dices verdad,

pero todo lo perdemos

y todo nos perderá.

XLIII

Dizes que nada se perde,

e talvez dizes verdade,

tudo perdemos porém

e tudo nos perderá.



XLIV

Todo pasa y todo queda,

pero lo nuestro es pasar,

pasar haciendo caminos,

caminos sobre la mar.

XLIV

Tudo passa e tudo fica,

e o que nos cabe é passar,

passar fazendo caminhos,

caminhos por sobre o mar.



XLV

Morir... ¿Caer como gota

de mar en el mar inmenso?

¿O ser lo que nunca he sido:

uno, sin sombra y sin sueño,

un solitario que avanza

sin camino y sin espejo?

XLV

Morrer... Cair como gota

do mar no mar gigantesco?

Ou ser o que nunca fui:

alguém, sem sombra e sem sonho,

um solitário que avança,

sem caminho e sem espelho?



XLVI

Anoche soñé que oía

a Dios, gritándome: ¡Alerta!

Luego era Dios quien dormía,

y yo gritaba: ¡Despierta!

XLVI

De noite sonhei que ouvia

Deus, a me gritar: Alerta!

Logo era Deus quem dormia,

e eu gritava: Desperta!



XLVII

Cuatro cosas tiene el hombre

que no sirven en la mar:

ancla, gobernalle y remos,

y miedo de naufragar.

XLVII

Quatro coisas tem o homem

que são inúteis no mar:

âncora, timão e remos,

e medo de naufragar.



XLVIII

Mirando mi calavera

un nuevo Hamlet dirá:

He aquí un lindo fósil de una

careta de carnaval.

XLVIII

Olhando minha caveira

um novo Hamlet dirá:

Eis um lindo fóssil de uma

máscara de carnaval.



LI

Luz del alma, luz divina,

faro, antorcha, estrella, sol...

Un hombre a tientas camina;

lleva a la espalda un farol.

LI

Luz do espírito, luz sagrada,

lanterna, tocha, estrela, sol...

Um homem às cegas na estrada;

leva nas costas um farol.

Cultura nunca é demais!

Antonio Machado


(1875-1939)

Poeta y prosista español, perteneciente al movimiento literario conocido como generación del 98.

Probablemente sea el poeta de su época que más se lee todavía. Vida Nació en Sevilla y vivió luego

en Madrid, donde estudió. En 1893 publicó sus primeros escritos en prosa, mientras que sus primeros

poemas aparecieron en 1901. Viajó a París en 1899, ciudad que volvió a visitar en 1902, año en el que

conoció a Rubén Darío, del que será gran amigo durante toda su vida. En Madrid, por esas mismas

fechas conoció a Unamuno, Valle-Inclán, Juan Ramón Jiménez y otros destacados escritores con los

que mantuvo una estrecha amistad. Fue catedrático de Francés, y se casó con Leonor Izquierdo,

que morirá en 1912. En 1927 fue elegido miembro de la Real Academia Española de la lengua.

Durante los años veinte y treinta escribió teatro en compañía de su hermano, también poeta, Manuel,

estrenando varias obras entre las que destacan La Lola se va a los puertos, de 1929, y La duquesa

de Benamejí, de 1931. Cuando estalló la Guerra Civil española estaba en Madrid. Posteriormente

se trasladó a Valencia, y Barcelona, y en enero de 1939 se exilió al pueblo francés de Colliure,

donde murió en febrero.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Para Refletir!

A Importância do Livro




Atualmente, praticamente todas as propostas de ensino têm se comprometido com o projeto de formação de um ser humano crítico e atuante, sujeito no processo de ensino/aprendizagem. Mas, pôr em prática esse objetivo nas diferentes áreas e, em particular, na área de língua portuguesa, transformando os estudos de linguagem em conteúdos significativos para o aluno não é uma tarefa nada fácil. Contudo, apesar das dificuldades, é necessário e possível ampliar os horizontes das atividades que envolvem leitura, literatura, produção de textos e reflexão sobre a linguagem, partindo de algumas medidas básicas, como a revisão dos objetivos do curso de língua portuguesa; a inclusão de novos conteúdos; a reavaliação de conteúdos tradicionalmente supervalorizados (como, por exemplo, a classificação de palavras em categorias como um fim em si mesma); a mudança de postura em relação à língua (abrindo espaço para a variação lingüística e inserindo a noção de adequação); a criação de situações concretas de interação lingüística e social, e o desenvolvimento de projetos, como uma maneira de garantir a participação efetiva do aluno no processo de construção do conhecimento; e a abordagem da língua e da linguagem voltada para o texto e para o discurso.

Nesse contexto, o trabalho com a leitura deve ser uma prática constante. Se, por um lado, tem o objetivo de formar leitores competentes, por outro, é matéria-prima para o ato de escrever.

“Formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê; que possa aprender a ler também o que não está escrito, identificando elementos implícitos; que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto; que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos que permitam fazê-lo.” (Parâmetros Curriculares Nacionais – Língua Portuguesa, p. 36).

Por vários motivos, muitos alunos não têm contato sistemático com leitura de qualidade e com adultos leitores. A escola, então, torna-se o único veículo de interação desses alunos com textos, modelos de leitores e práticas de leituras eficazes e, consequentemente, formar leitores competentes. Um leitor competente é também aquele que, por iniciativa própria, seleciona, de acordo com suas necessidades e interesses, o que ler entre os vários tipos de textos que circulam socialmente. Por isso, como professora de língua portuguesa não economizo esforços para fazer com que meus alunos descubram bons livros. Descubram que nada pode substituir o prazer de escolher um livro, de virar uma página, de viajar sem sair do lugar de estar sozinho e ao mesmo tempo acompanhado de pessoas de várias épocas, de vários tipos de personalidade, de heróis, de fadas, enfim quero que meus alunos sejam leitores. E leitores competentes que saibam uma das melhores coisas do mundo é ler e um dos melhores amigos que podemos ter é o livro.



Para finaliza deixo a todos um pensamento de Ana Maria Machado:

“Dá até pena de quem não teve a chance de descobrir livros bons e não sabe como é gostoso... é meio como que nunca teve a sorte de se apaixonar por alguém e ser correspondido.”

Alguém discorda?

Beijocas! Mari

A importância da leitura

As tecnologias do mundo moderno fizeram com que as pessoas deixassem a leitura de livros de lado, isso resultou em jovens cada vez mais desinteressados pelos livros, possuindo vocabulários cada vez mais pobres.

A leitura é algo crucial para a aprendizagem do ser humano, pois é através dela que podemos enriquecer nosso vocabulário, obter conhecimento, dinamizar o raciocínio e a interpretação. Muitas pessoas dizem não ter paciência para ler um livro, no entanto isso acontece por falta de hábito, pois se a leitura fosse um hábito rotineiro as pessoas saberiam apreciar uma boa obra literária, por exemplo.

Muitas coisas que aprendemos na escola são esquecidas com o tempo, pois não as praticamos, através da leitura rotineira tais conhecimentos se fixariam de forma a não serem esquecidos posteriormente. Dúvidas que temos ao escrever poderiam ser sanadas pelo hábito de ler, talvez nem as teríamos, pois a leitura torna nosso conhecimento mais amplo e diversificado. Durante a leitura descobrimos um mundo novo, cheio de coisas desconhecidas.

O hábito de ler deve ser estimulado na infância, para que o indivíduo aprenda desde pequeno que ler é algo importante e prazeroso, assim com certeza ele será um adulto culto, dinâmico e perspicaz. Saber ler e compreender o que os outros dizem nos difere dos animais irracionais, pois comer, beber e dormir até eles sabem, é a leitura que proporciona a capacidade de interpretação.

Toda escola, particular ou pública, deve fornecer uma educação de qualidade incentivando a leitura, pois dessa forma a população se torna mais informada e crítica.
“Leitura não é hábito. Ler é vício. Eu quero ver gente viciada em leitura, que viaje com a história.”


Fanny Abramovich

“O livro traz a vantagem e a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.”
Mário Quintana

“Dá até pena de quem não teve a chance de descobrir livros bons e não sabe como é gostoso... è meio como que nunca teve a sorte de se apaixonar por alguém e ser correspondido.”


Ana Maria Machado